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Alta inteligência emocional: como perceber os sinais e desenvolvê-la na prática

Essa habilidade aparece na forma de ouvir, reagir e lidar com pressão. No outro extremo, impulsividade e dificuldade com críticas servem de alerta.

Por Izabel Duva Rapoport 18 Maio 2026, 16h00 | Atualizado em 19 Maio 2026, 10h33
Imagem de uma cabeça com cérebro ativo.
 (J Studios/Getty Images)
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Saber lidar com emoções – as próprias e as dos outros – se tornou uma das competências mais valorizadas no ambiente corporativo. E isso não significa evitar conflitos ou manter uma postura sempre calma. De acordo com a psicóloga Gabriela Rudnik, a inteligência emocional no trabalho está relacionada a um conjunto de habilidades descritas pelo jornalista científico Daniel Goleman, como autoconsciência, autorregulação, empatia e habilidades sociais. “No dia a dia, isso aparece em comportamentos observáveis”.

A autoconsciência é percebida quando o profissional consegue identificar e nomear o que está sentindo. “Esse processo ativa o córtex pré-frontal, ajudando a reduzir a reatividade da amígdala, responsável por respostas impulsivas”, explica a presidente do Instituto Fliegen, que se dedica a capacitação de estudantes da rede pública.

Já a autorregulação emocional se apresenta na estabilidade do colaborador, inclusive sob pressão. “Pesquisas sobre estresse ocupacional indicam que essa habilidade está associada a um menor risco de burnout e melhor desempenho em ambientes de alta demanda”.

Outro ponto citado pela especialista é a empatia. “Ela não é apenas simpatia, mas a capacidade real de compreender o estado emocional do outro, algo relacionado à ativação de redes neurais como o sistema de neurônios-espelho”, diz. Na rotina de trabalho, isso se traduz em escuta ativa, comunicação assertiva e capacidade de lidar com conflitos de forma construtiva.

Comportamentos que advertem

No extremo oposto, a baixa inteligência emocional costuma se manifestar como dificuldade de regulação das emoções. “Do ponto de vista psicológico, isso está ligado a menor ativação de processos de controle cognitivo e maior predominância de respostas automáticas”, pontua Gabriela, reforçando que, na prática, além da reatividade emocional, aparecem comportamentos como dificuldade em lidar com críticas, baixa tolerância à frustração e tendência a levar situações para o lado pessoal. “Esses padrões aumentam conflitos e reduzem a segurança psicológica das equipes”.

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A psicóloga acrescenta ainda a baixa consciência de impacto. “Muitas vezes a pessoa não percebe como sua conduta afeta o ambiente, o que está relacionado à menor desenvolvimento de metacognição”. No entanto, Gabriela ressalta a importância de trazer um olhar mais atual para isso: “nem sempre esses comportamentos indicam apenas falta de habilidade. Em alguns casos, podem estar relacionados a condições neurodivergentes, como TDAH ou autismo, que envolvem diferenças na regulação emocional e no processamento social”, destaca. Nesses casos, ela diz que o caminho passa por adaptação do ambiente e não apenas por cobrança individual.

Como incluir profissionais autistas

O impacto das emoções na empresa

A maneira como cada profissional lida com as emoções no dia a dia, dentro das organizações, impacta não apenas o time ao redor, mas também o que a psicologia organizacional chama de segurança psicológica, conceito estudado pela acadêmica Amy Edmondson.

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Não por acaso, empresas com alta inteligência emocional tendem a apresentar mais confiança, colaboração e abertura para inovação. “Isso acontece porque o cérebro interpreta o lugar como seguro, reduzindo estados de alerta constantes”. Já ambientes com baixa regulação das emoções geram aumento de estresse, comunicação defensiva e maior dificuldade em lidar com conflitos. “Com o tempo, isso impacta diretamente produtividade, engajamento e retenção de talentos”.

É possível desenvolver?

Sim. A base é científica, segundo a especialista, e a explicação está na neuroplasticidade, que torna o cérebro capaz de se reorganizar ao longo da vida. Na prática, ela sugere cinco passos para fortalecer circuitos relacionados à regulação emocional:

  1. Nomear sentimentos: para diminuir a intensidade deles e aumentar a autoconsciência emocional
  2. Criar pausas antes de reagir: para estimular o córtex pré-frontal e conter a impulsividade
  3. Escutar de forma ativa: para melhorar a qualidade das relações
  4. Usar feedback estruturado: para desenvolver a percepção de impacto
  5. Fazer exercícios de atenção plena, como mindfulness: para reduzir o estresse
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