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O vazio profissional pode surgir mesmo entre executivos bem-sucedidos?

Para especialista, esgotamento emocional nem sempre está ligado apenas ao excesso de trabalho, mas também à perda de significado por trás das conquistas.

Por Izabel Duva Rapoport 6 jul 2026, 15h29 | Atualizado em 6 jul 2026, 19h07
Miniatura de homem de perfil, com suéter azul-escuro e calça verde-oliva, mãos na cintura, olhando para a direita. Ao fundo, sombras de pessoas embaçadas contra uma parede translúcida azul-clara, sobre uma superfície azul-escura
 (Mayra Perez Diaz/Getty Images)
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Cargos de liderança, estabilidade financeira, expansão do patrimônio e acúmulo de reconhecimento. Muitos profissionais alcançam esses objetivos, mas, ainda assim, alegam uma sensação de vazio que surge justamente quando todas as metas parecem ter sido cumpridas. Para o CEO Marcelo Neri, autor do livro O Tabuleiro da Existência, o esgotamento emocional de líderes muitas vezes não nasce da falta de resultados, mas da perda de significado por trás deles.

“Existe uma crença de que a felicidade estará sempre na próxima conquista”, afirma o mentor executivo. “O problema é que muitas pessoas chegam ao topo e descobrem que o sentimento de plenitude prometido nunca chegou. É nesse momento que começam os questionamentos sobre propósito, identidade e sentido da própria trajetória”. Segundo ele, o sucesso baseado exclusivamente em validação externa pode criar uma armadilha onde o profissional passa anos perseguindo metas, promoções e reconhecimento, mas negligencia aspectos fundamentais da sua vida emocional e existencial. “Quando as conquistas deixam de gerar satisfação, surge um vazio difícil de compreender e ainda mais difícil de admitir”.

Ciclo de cobrança, insatisfação e… burnout

Embora o excesso de trabalho, jornadas extensas e pressão constante estejam entre os principais fatores de causa e risco da síndrome de Burnout, Marcelo destaca uma dimensão menos discutida do problema: a desconexão entre o trabalho realizado e o significado percebido por quem o produz. Na sua visão, essa situação pode ser ainda mais delicada em cargos de liderança, tendo em vista que executivos frequentemente sentem que precisam demonstrar força, segurança e controle o tempo todo. Como consequência, sinais de desgaste emocional acabam sendo ignorados ou mascarados pelos bons resultados profissionais.

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“Muitos líderes continuam entregando performance mesmo quando estão emocionalmente exaustos”, diz o CEO do setor marítimo e portuário. “A empresa vê números positivos, a equipe vê alguém aparentemente forte, porém, internamente, existe um processo de desgaste que avança em silêncio”. Um dos sinais mais comuns, de acordo com ele, é a perda gradual da capacidade de sentir satisfação pelas próprias conquistas. “O profissional alcança objetivos importantes, mas a sensação de realização dura cada vez menos tempo”, explica. “Em seguida surge a necessidade de buscar uma nova meta, criando um ciclo permanente de cobrança e insatisfação”.

O ego no comando

Marcelo observa ainda que o ego desempenha um papel relevante na construção de carreiras de sucesso. “A ambição, o desejo de reconhecimento e a busca por crescimento podem funcionar como motores poderosos de desenvolvimento profissional”, admite. “O problema surge quando esses elementos passam a ser os únicos responsáveis pela direção da vida”.

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Para o escritor, muitos executivos constroem uma identidade tão vinculada ao cargo e ao status que acabam perdendo contato com quem realmente são fora do ambiente corporativo. “O ego é uma ferramenta importante, mas não pode ser o condutor da existência”, alerta. “Quando a identidade fica totalmente dependente da posição ocupada, qualquer mudança profissional passa a ser percebida como uma ameaça pessoal”.

Conquistas externas, desenvolvimento interno

Nesse contexto, o mentor executivo propõe em seu novo livro uma reflexão sobre a necessidade de equilibrar conquistas externas e desenvolvimento interno. Isso acontece, segundo ele, quando a realização não está apenas em chegar mais longe, mas em compreender se está caminhando naquela direção. “Em cenário marcado por cobranças crescentes, transformações aceleradas e pressão por resultados, a discussão sobre propósito deixa de ser um tema abstrato e passa a ocupar um papel central na saúde mental das lideranças”, acredita. “Afinal, alcançar o sucesso sem encontrar significado pode ser uma das formas mais silenciosas de fracasso”.

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