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Isis Borge

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Executive Director Talenses & Managing Partner Talenses Group

O tédio profundo no trabalho já tem nome: boreout

Não é preguiça, mas falta de desafios e propósito. Entenda como a subutilização de talentos corrói a motivação e pode afetar sua saúde mental.

Por Isis Borge, colunista da VOCÊ RH 7 abr 2026, 16h55 | Atualizado em 8 abr 2026, 10h50
Imagem de um relógio de ponteiro em superfície cinza derretendo.
 (Jorg Greuel/Getty Images)
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  • Nos últimos anos, o mundo corporativo passou a discutir com mais naturalidade temas como burnout, saúde mental e exaustão crônica. Mas, quase como uma ironia, um outro fenômeno começa a ganhar espaço, ainda que com menos visibilidade e, muitas vezes, até com certo tom de brincadeira. É o chamado boreout.

    O termo surgiu em discussões amplificadas por veículos como a Harvard Business Review e foi aprofundado por autores como Peter Werder e Philippe Rothlin. É utilizado para descrever um estado de tédio profundo no trabalho, marcado pela falta de desafios, de sentido e de engajamento. Ou seja, se o burnout é o colapso pelo excesso, o boreout é o esvaziamento pela falta.

    À primeira vista, pode parecer quase um luxo. Afinal, em um contexto em que tantas pessoas estão sobrecarregadas, falar de tédio no trabalho pode soar desconectado da realidade. Por isso, o tema frequentemente aparece revestido de humor, como uma espécie de contraponto leve ao drama do burnout. Mas a verdade é que o boreout não é uma piada. É um risco corporativo pouco propagado.

    Profissionais em boreout não estão necessariamente ociosos no sentido literal. Muitas vezes, estão ocupados com tarefas que não exigem sua capacidade, que não os desafiam ou que não fazem sentido dentro de uma trajetória profissional maior. O resultado é uma desconexão gradual, que corrói a motivação, reduz a energia e, em alguns casos, leva a sintomas semelhantes aos do burnout, como ansiedade, irritação e queda de autoestima.

    O mais curioso é que o boreout, frequentemente, atinge perfis considerados de alto potencial: pessoas que já provaram sua capacidade, mas que, por questões organizacionais, acabam subutilizadas. Em estruturas muito rígidas, em momentos de transição ou mesmo em culturas pouco orientadas a desenvolvimento, esses profissionais ficam à margem de decisões relevantes, sem espaço real para contribuir.

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    É preciso calibrar a carga

    Há também um componente cultural importante. Durante muito tempo, produtividade foi associada a estar ocupado, não necessariamente a gerar valor para o negócio. Isso cria ambientes em que parecer ocupado vale mais do que, de fato, estar engajado. Nesse contexto, o boreout pode se esconder atrás de agendas cheias, reuniões longas e entregas pouco relevantes.

    Quando olhamos para estudos de universidades como Harvard e Stanford, um ponto aparece de forma consistente: o engajamento está diretamente ligado à percepção de propósito, à autonomia e ao desafio adequado. Ou seja, não basta aliviar a sobrecarga de trabalho, é preciso calibrar a demanda para que ela seja cognitiva e emocionalmente estimulante.

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    Do ponto de vista prático, algumas recomendações começam a aparecer nesses estudos. A primeira é o chamado job crafting, conceito bastante explorado por pesquisadores como Amy Wrzesniewski. É algo que tem relação com a atitude proativa do profissional ao redesenhar partes do seu trabalho, buscando mais significado e desafio. Isso pode significar assumir projetos paralelos, propor melhorias ou se aproximar de áreas em que suas competências sejam melhor aproveitadas.

    Outra frente é a conversa franca com a liderança. Muitas vezes, o boreout não é visível justamente porque o profissional continua entregando o básico esperado. Trazer essa discussão de forma estruturada, com exemplos concretos e propostas de ampliação de escopo, tende a ser mais eficaz do que simplesmente expressar insatisfação.

    O papel das organizações

    Empresas que conseguem mapear melhor o potencial de seus talentos e criar mobilidade interna reduzem significativamente o risco de boreout. Programas de rotação, projetos interdisciplinares e metas que estimulem aprendizado contínuo são caminhos apontados por pesquisas de instituições como MIT Sloan School of Management.

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    Para o próprio profissional, reconhecer o boreout também não é trivial. O processo de admitir que está entediado pode vir acompanhado de culpa ou de medo de julgamento. Mas ignorar o problema tende a prolongar um estado que, no longo prazo, compromete tanto a performance quanto o bem-estar.

    Talvez o ponto mais interessante dessa “brincadeira” com o termo boreout seja justamente esse contraste. Ao tratar o tema com leveza, não como descaso, abre-se uma porta para uma conversa que ainda é pouco explorada. E, no fim, a provocação que eu gostaria de deixar para você refletir é a seguinte: “Hoje, o seu trabalho te desafia na medida certa ou você está mais próximo do excesso… ou do vazio?”.

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