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5 novas profissões criadas pela inteligência artificial

Especialista em ética e responsabilidade, tradutor de IA para o negócio, curador de conhecimento... Entenda cada um desses trabalhos.

Por Izabel Duva Rapoport 10 out 2025, 16h20 | Atualizado em 4 jun 2026, 22h40
Retrato de uma jovem trabalhando em um escritório moderno, cercada por ícones multicoloridos de mídias sociais e telas de dados. Personalização de dados e conceito de mídias sociais.
 (Andriy Onufriyenko/Getty Images)
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Profissionais com habilidades em inteligência artificial receberam, em média, 56% de prêmio salarial em 2024, o dobro do ano anterior. Além disso, o estudo do PwC 2025 Global AI Jobs Barometer mostra que os empregos em ocupações com alta exposição à tecnologia cresceram cerca de 38% entre 2019 e 2024, mesmo em funções que poderiam ser automatizadas.

Diante dos números em relação ao mercado de trabalho, surge um dilema sobre os efeitos da transformação digital – que também podem ser positivos. Para a juíza federal do trabalho, Taciela Cordeiro Cylleno, a questão que se impõe no momento não é mais “se” a IA vai impactar, mas “o quanto”.

Para mostrar que, apesar dos desafios, o cenário também pode trazer possibilidades, a juíza compara a transformação atual às grandes Revoluções Industriais. “Certas funções vão perder espaço, mas uma nova economia do trabalho está se formando baseada na integração entre tecnologia e humanidade”, explica. “O diferencial não será apenas saber lidar com máquinas, mas ter capacidade de traduzir esse conhecimento em impacto real para as pessoas e os negócios”. É nesse momento, segundo ela, que entram as habilidades humanas. “Cada vez mais valiosas”, diz.

“Na prática, novas carreiras já estão surgindo, algumas técnicas, outras ligadas à gestão e ao lado humano das empresas”. A seguir, Taciela lista algumas dessas profissões emergentes e explica por que elas tendem a ganhar espaço nos próximos anos:

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1.Especialista em ética e responsabilidade da IA

“Com a popularização do uso de algoritmos, cresce também a preocupação com vieses e impactos sociais. Esse especialista garante que as decisões automatizadas sejam justas, transparentes e respeitem os valores humanos. Nas áreas de RH, por exemplo, a atuação pode ser fundamental para evitar que softwares de recrutamento reproduzam preconceitos ou prejudiquem a diversidade nas contratações”, comenta Taciela.

2.Auditor de IA

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“Assim como auditores financeiros verificam a regularidade das contas, o auditor de IA garante que os sistemas de inteligência artificial estejam alinhados às regras de segurança, legislação vigente e critérios de imparcialidade”, afirma. Para a juíza federal, trata-se de um papel cada vez mais estratégico, principalmente em setores regulados, como saúde, finanças e mercado de trabalho, onde erros podem gerar riscos legais e de reputação.

3.Curador de conhecimento

A ideia desse profissional é organizar e filtrar a enorme quantidade de informações utilizada pelas máquinas. “A qualidade das respostas da IA depende diretamente dos dados que a alimentam e a curadoria garante que as informações sejam confiáveis e úteis”, justifica. “Dentro das empresas, é uma função que se torna essencial para orientar os processos decisórios, treinamentos e até mesmo as políticas de governança de dados”.

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4.Tradutor de IA para o negócio

O papel dele é transformar a linguagem técnica da IA em algo compreensível e aplicável às diferentes áreas da organização. “Ele atua como um elo entre desenvolvedores e gestores, mostrando, por exemplo, como um algoritmo pode ajudar no engajamento de equipes, na análise de performance ou na definição de estratégias de marketing”, explica.

5.Orquestrador de inteligência artificial

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Esse profissional atua como um maestro, porém, em vez de instrumentos musicais, conduz diferentes inteligências artificiais para que funcionem de maneira integrada. A função, Segundo Taciela, é garantir que sistemas distintos, usados em diferentes setores de uma organização, conversem entre si. “Em empresas de grande porte, por exemplo, ele pode conectar plataformas de RH, marketing e jurídico, tornando os processos mais rápidos e estratégicos”.

Habilidades que vão fazer a diferença

A especialista em trabalho orienta que, para ocupar essas funções, será cada vez mais necessário ter letramento tecnológico, pensamento estratégico e, sobretudo, soft skills. “Máquinas podem ser mais rápidas e racionais, mas não conseguem substituir a capacidade humana de sentir, motivar e criar vínculos de confiança”, destaca. “É por isso que habilidades como empatia, escuta ativa e sensibilidade se tornarão ainda mais valiosas no mercado de trabalho”.

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Desenvolver essas competências, de acordo com Taciela, exige autoconhecimento e prática. “A empatia pode ser treinada em cursos, dinâmicas e experiências em equipe; a escuta ativa, por sua vez, vai além de apenas ouvir: envolve refletir, compreender e criar espaço genuíno para o outro”, descreve. Além disso, ela cita o autocuidado e a saúde mental como fatores críticos para sustentar a adaptabilidade necessária em tempos de mudanças intensas.

O impacto no dia a dia

Funções como essas, acredita a juíza, já começam a aparecer em áreas criativas, técnicas e administrativas, trazendo ganhos de produtividade e inovação. “Para as empresas, o desafio será equilibrar a adoção de tecnologias avançadas com a valorização das competências humanas”.

“Quanto mais a IA evoluir, mais o mercado precisará de pessoas que saibam traduzir essa inteligência para a vida real”, alerta Taciela. “O futuro não é só digital: é humano e digital juntos, cada um contribuindo com o que tem de único”.

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