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Imagem profissional: comportamentos que prejudicam e competências que elevam

Reputação da marca pessoal não se constrói só com resultado - e pode ser arruinada por pequenos gestos. Confira o que separa quem cresce de quem estagna.

Por Izabel Duva Rapoport 5 Maio 2026, 16h46 | Atualizado em 5 Maio 2026, 16h48
Peça geométrica em superfície amarela diante de um espelho.
 (Richard Drury/Getty Images)
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Entregar resultado já não é suficiente para sustentar o crescimento na carreira. Em posições mais altas, o que diferencia os profissionais não é apenas o que fazem, mas como são vistos. “Quase todo executivo sênior acha que sabe como é percebido: recebeu 360, leu o feedback, anotou os pontos”, comenta Giuliana Tranquilini, sócia-proprietária da consultoria em gestão de marca corporativa e pessoal BetaFly. “O problema é que receber feedback e agir sobre ele são duas competências completamente diferentes”. E ela destaca: é no segundo movimento (ou seja, na ação) que a imagem profissional se constrói ou se perde.

“Imagem é o que os outros pensam de você; mas você pode e deve agir de forma intencional a partir de quem você é, de como é percebido e do ambiente em que atua para ajustar esta marca, quando necessário”, diz. Em suas mentorias com executivos, a especialista percebe dois comportamentos frequentes que mais prejudicam a própria reputação:

-Linguagem que se diminui: “Só queria compartilhar”, “talvez seja uma ideia boba”, “não sou eu a especialista, mas…”. De acordo com Giuliana, esses amaciadores parecem humildade, mas ensinam o outro a desvalorizar o que vem depois. “Cada justificativa colocada antes de uma ideia diminui a sua autoridade, e ao longo do tempo, esses padrões de comunicação se acumulam em um problema de reputação para quem fala”.

-Não estar presente: A cena é comum: o executivo entra na reunião com o laptop aberto respondendo e-mail, com o celular virado para baixo, mas vibrando a cada minuto, com o olhar que desce para a tela toda vez que alguém fala mais de trinta segundos. E a justificativa é sempre a mesma: “tenho muita coisa para fazer”, “preciso otimizar meu tempo”. No entanto, a mensagem que chega para quem está do outro lado é outra: “você não é prioridade suficiente para ter a minha atenção”. Para a consultora, isso destrói a imagem de liderança. “Viver na economia da atenção e conseguir estar presente, inteiro, em uma reunião virou um diferencial, assim como ser objetivo. O que deveria ser normal, agora é raro”, resume.

Do automático ao intencional

Já do outro lado, na visão de Giuliana, duas competências comportamentais costumam se destacar no fortalecimento da marca pessoal, sendo trabalhada com propósito:

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Cinco comportamentos sabotadores de carreira

 

 

-Inteligência sistêmica: A primeira e a mais importante, segundo ela, é a inteligência sistêmica. “No topo da carreira, o jogo não é mais provar competência técnica; isso já foi feito, é o que colocou o profissional ali”, pontua. “O jogo passa a ser ler o sistema em que se opera: como as decisões são de fato tomadas, quem influencia quem, qual é a prioridade real do momento, quem precisa ser trazido junto antes de uma definição importante, como posicionar o próprio trabalho dentro da narrativa da organização”.

A executiva diz que isso é frequentemente confundido com manipulação, mas é o oposto. “Manipulação é mover o sistema contra os próprios valores para extrair vantagem. Inteligência sistêmica é operar dentro do sistema de forma alinhada a quem você é, ao que defende e ao lugar que quer ocupar”. Nesse contexto, estar no mundo corporativo é, por definição, estar dentro de um sistema de poder. “E quem ignora esse sistema  tende a estagnar na carreira e perde a oportunidade de agir com intencionalidade”.

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-Coerência: A segunda competência é a coerência entre quem o executivo é e como ele aparece. Ou seja: coerência entre o que diz e o que entrega; entre o tom da reunião e o tom do LinkedIn; entre o discurso de liderança e o comportamento com a equipe quando ninguém está olhando. “Os profissionais que mais crescem não são necessariamente os mais brilhantes ou os mais bem relacionados, são aqueles em que o ambiente confia, porque há previsibilidade entre o que prometem e o que entregam, entre quem dizem ser e quem de fato são”, afirma, defendendo que coerência é o que transforma percepção em reputação, e reputação em capital de carreira.

“No final, o que separa quem cresce de quem estagna não é somente o talento, nem somente o resultado, isso é o mínimo esperado para qualquer profissional. É o que cada um faz, intencionalmente, com aquilo que sabe sobre si”, conclui.

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