Avatar do usuário logado
Usuário
Mês do Consumidor: Você RH por apenas 9,90

O que as empresas ainda precisam aprender sobre saúde mental

Tratar o tema apenas de forma reativa é insuficiente. É preciso avançar para uma lógica de gestão baseada em dados, prevenção e monitoramento contínuo.

Por Lucas Fernandes, CHRO da Caju
31 jan 2026, 14h00 •
homem sentado em uma banco embaixo de uma nuvem de papel com chuva.
 (We Are/Getty Images)
Continua após publicidade
  • Durante muito tempo, a saúde mental foi tratada nas empresas como tabu e um tema periférico, associado a ações pontuais de bem-estar ou campanhas de conscientização restritas a datas específicas do calendário. Esse cenário mudou de forma definitiva. A campanha que ocorre no Janeiro Branco é muito importante para jogar luz ao tema, mas o cuidado com a saúde mental não pode se limitar a um único mês. Hoje, falar sobre isso no trabalho é falar de produtividade, retenção de talentos, gestão de riscos e, de maneira cada vez mais clara, de impacto financeiro nos negócios.

    Os números ajudam a dimensionar essa transformação. No Brasil, os afastamentos por transtornos mentais vêm batendo recordes ano após ano e dados da Previdência Social indicam que o total de licenças por ansiedade e depressão mais do que dobrou de 2022 para 2024, pressionando tanto o sistema previdenciário quanto as estruturas internas das empresas. 

    Ao mesmo tempo, uma pesquisa conduzida pela Caju em parceria com a Consumoteca, encontrou na amostragem que 70% da Geração Z acredita que todos deveriam fazer terapia, e 32% já receberam diagnóstico de ansiedade ou depressão, indicando uma mudança profunda nas expectativas das novas gerações em relação ao papel das organizações no cuidado com a saúde emocional.

    Esse debate ganhou novos contornos com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a reconhecer formalmente os riscos psicológicos no ambiente de trabalho a partir deste ano, reforçando a responsabilidade das empresas sobre o tema.

    3 pontos decisivos para se adequar à NR-1 em 2026

    Continua após a publicidade

    Mas há um aspecto que ainda costuma ser subestimado e que ultrapassa os limites de responsabilidade dos RHs: o custo da negligência. A OMS estima que 12 bilhões de dias úteis sejam perdidos todos os anos no mundo em decorrência de depressão e ansiedade, o que representa um impacto econômico de aproximadamente US$ 1 trilhão por ano. Esses números ajudam a explicar por que o bem-estar deixou de ser apenas uma pauta de cuidado humano e passou a ocupar espaço central nas estratégias de sustentabilidade e performance organizacional.

    No cotidiano das empresas, esse impacto financeiro se manifesta de diferentes formas. O absenteísmo relacionado a transtornos mentais cresce de forma consistente, mas há também o efeito menos visível do presenteísmo, quando o colaborador está fisicamente presente, porém com desempenho comprometido. Soma-se a isso o aumento do turnover emocional, caracterizado por desligamentos motivados por estresse, burnout e insegurança psicológica, que elevam significativamente os custos de substituição, recrutamento e treinamento.

    Há ainda fatores externos que ampliam esse cenário de pressão. Um levantamento realizado em 2024 com trabalhadores brasileiros feito por Cajuína, frente de inteligência e conteúdo da Caju, revelou que 42% temem que as mudanças climáticas afetem sua saúde mental. O bem-estar, portanto, passa a ser influenciado não apenas pelo ambiente interno, mas também por inseguranças sociais, econômicas e ambientais.

    Continua após a publicidade

    Diante desse cenário, tratar a saúde mental apenas de forma reativa é insuficiente. É preciso avançar para uma lógica de gestão baseada em dados, prevenção e monitoramento contínuo. 

    A atualização da NR-1 reforça esse movimento ao estabelecer um novo patamar de responsabilidade para as organizações. Mais do que atender a uma exigência regulatória, trata-se de uma oportunidade para estruturar políticas consistentes, capacitar lideranças e criar ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos. Empresas que se antecipam a esse processo tendem a reduzir riscos legais, melhorar seus indicadores de clima e engajamento e, consequentemente, obter ganhos financeiros no médio e longo prazo.

    Cuidar da saúde mental no trabalho não deve ser interpretado como uma concessão ou um custo inevitável. Trata-se de um investimento estratégico na longevidade dos negócios, na inovação e na capacidade das empresas de atrair e reter talentos em um mercado cada vez mais competitivo. O impacto humano é inquestionável. O impacto financeiro, agora, também é impossível de ignorar.

    Continua após a publicidade

    *Lucas Fernandes é CHRO da Caju, empresa de benefícios e tecnologia para gestão de pessoas.

     

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Gestores preparados vencem!
    Por um valor simbólico , você garante acesso premium da Você RH Digital à informação que forma líderes de verdade.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Impressa + Digital

    Gestores preparados vencem!
    Por um valor simbólico , você garante acesso premium da Você RH Digital à informação que forma líderes de verdade.
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.