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Os riscos da amizade entre funcionários e fornecedores

37% das fraudes corporativas envolveram conluio entre colaboradores e prestadores de serviço, um aumento de 12% em dois anos.

Por Izabel Duva Rapoport
29 ago 2025, 17h32 •
Jovens funcionários sentados frente a frente nos locais de trabalho digitando em laptops e computadores.
 (Denis Novikov/Getty Images)
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  • Confiança demais pode ser o começo do fim.” É assim que Mário Silva Jr., diretor de investigação corporativa da S2 Consultoria e responsável pela coordenação do livro Doce Cilada, resume um dos erros mais perigosos que as empresas cometem: acreditar que laços pessoais no trabalho são sempre inofensivos.

    Para ele, amizades entre colaboradores e fornecedores podem se transformar em uma armadilha silenciosa – e custar milhões. “O que começa com um almoço pago ‘sem segundas intenções’ ou um presente de cortesia pode evoluir para favores, acesso privilegiado e, por fim, a entrega de informações estratégicas”, descreve.

    Os números confirmam o tamanho do risco. Segundo pesquisa global da ACFE – Association of Certified Fraud Examiners, feita em 2024, 37% das fraudes ligadas a vínculos internos envolveram conchavos entre funcionários e fornecedores, com prejuízo médio de US$ 1,7 milhão por caso, um salto de 12% em dois anos. No Brasil, a Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que, só em 2025, mais de R$ 3,2 bilhões se perderam no setor público e privado por causa de “relações pessoais não declaradas”.

    Da vida real para a ficção

    Um dos personagens de Doce Cilada nasceu do caso de um líder que, em decorrência de vínculos pessoais e presentes recebidos de prestadores de serviços, acabou envolvido em práticas de corrupção e divulgação de dados confidenciais. “A obra é um retrato fiel de como a confiança excessiva pode corroer decisões estratégicas”.

    O especialista conta que existe uma psicologia por trás disso e que ela é mais comum do que se imagina. “A teoria da dádiva, de Marcel Mauss, mostra que, quando alguém recebe um presente ou benefício, surge, muitas vezes de forma inconsciente, a obrigação de retribuir”, explica o diretor de investigação corporativa. “Essa reciprocidade, quando não é controlada, abre a porta para conflitos de interesse e corrupção.”

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    As consequências geralmente vão além do caixa. Mário relata que vazamentos de informações podem comprometer estratégias inteiras, minar negociações e destruir reputações construídas em décadas. “Pior: como boa parte dessas trocas acontecem fora do radar formal das empresas, o problema só é percebido quando já é tarde demais”.

    Como evitar que relações próximas virem prejuízos?

    “O segredo está em agir antes de o problema aparecer”, alerta o co-autor da obra, Renato Santos, diretor de ciência comportamental da S2 Consultoria. Segundo ele, não basta confiar na boa vontade das pessoas, é preciso criar barreiras saudáveis que protejam a organização.

    Confira quatro pilares indicados por ele para “blindar a empresa”: 

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    1-  Regras claras sobre presentes e favores: definir limites objetivos para o que pode ou não ser aceito e registrar tudo.

    2-  Declaração de relações pessoais: criar canais seguros para que funcionários possam informar vínculos sem medo de retaliação.

    3-  Treinamento contínuo: capacitar líderes e equipes para identificar conflitos de interesse e agir rápido.

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    4- Monitoramento inteligente: usar a tecnologia para cruzar dados de contratos, fornecedores e interações internas, detectando padrões suspeitos antes que virem crise.

    Para Renato, a chave está em cultivar um ambiente onde a transparência não seja ameaça, mas valor central. “A confiança é indispensável, mas precisa ter limites claros e inegociáveis”.

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