Mulheres elevam o nível dos conselhos nas empresas
Domínio de finanças, tecnologia e governança amplia influência feminina nas decisões corporativas.
A presença feminina nos conselhos de administração já passou da fase dos debates sobre cotas e começa a entrar em um novo momento: o da alta performance técnica. A profissionalização da gestão patrimonial e os processos de sucessão em grandes empresas familiares estão sendo impulsionados por executivas C-level que colocam a excelência técnica – especialmente em finanças e tecnologia – no centro das decisões estratégicas, sem abrir mão das competências comportamentais frequentemente associadas à liderança feminina.
Essa nova geração de conselheiras entende que diversidade em conselhos vai muito além da questão de gênero. Trata-se, principalmente, de ampliar a pluralidade de pensamentos combinada a uma bagagem técnica sólida. Dominar temas antes restritos a especialistas financeiros – como valuation, fusões e aquisições (M&A), inteligência artificial estratégica e gestão integrada de riscos – passou a ser um dos principais instrumentos de influência e governança para essas líderes.
Para Christiane Aché, diretora do programa ABP-W da Saint Paul Escola de Negócios, conselheira, mentora e cofundadora da Women on Board, a sustentabilidade da carreira de uma conselheira também está diretamente ligada ao domínio desses temas técnicos.
“Os conselhos tradicionais ainda apresentam alguns ‘pontos cegos’ quando o assunto é tecnologia e sustentabilidade. O mercado exige conselheiras capazes de atuar como verdadeiras tradutoras do futuro, antecipando movimentos de mercado e trazendo uma visão extremamente estratégica e técnica”, afirma.
Formação de mais conselheiras
Segundo a mais recente pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em parceria com a B3, as mulheres ocupam cerca de 17% dos cargos em conselhos e diretorias de empresas de capital aberto no Brasil.
“A ideia é formar mulheres capazes de questionar resultados financeiros com foco na rentabilidade do negócio e, ao mesmo tempo, liderar frentes de inovação tecnológica, sem perder de vista as competências comportamentais”, diz Christiane.
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O Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W), primeiro curso voltado à formação de conselheiras no país, completa dez anos de existência. Com 300 horas de duração e um módulo internacional de imersão, o programa tem como foco o desenvolvimento de competências específicas em governança corporativa, compliance, ESG e transformação digital. O objetivo é preparar executivas, herdeiras e sócias de grandes escritórios de advocacia e contabilidade para ocupar cadeiras em conselhos, ao mesmo tempo em que fortalece habilidades comportamentais e amplia o networking entre as participantes. Hoje, o programa reúne uma comunidade ativa com mais de 600 alunas.





