Um novo cisne no RH
O RH mudou nos últimos anos e o departamento pessoal também: de acumuladora a geradora de dados, a área sabe que faz a diferença na empresa. E se orgulha disso.
Como não sou mais um mocinho, já convivi com o departamento pessoal de algumas empresas. Nem tantas, porque muito da minha vida profissional foi trabalhando como jornalista autônomo, autor de livros, editor independente. Mas já passei pelos processos de contratação, de bater ponto, de combinar férias. Demitido, curiosamente, nunca fui, mas já pedi demissão, então também sei mais ou menos como funciona a coisa.
Onboarding? Uns bons anos atrás, eu nem saberia o que o termo significa. Me lembra algo do surfe. Essa introdução à empresa pouco tinha a ver com o RH para mim. Meu novo chefe, ou um colega mais experiente, me apresentava a quem era indispensável conhecer, às instalações da empresa, às políticas básicas do lugar, e pronto. Com o departamento pessoal, eu trocava documentos, assinava outros, recebia encaminhamento para um exame admissional de saúde. Uma vez, juro, o médico especialista nisso estava fumando enquanto me fazia umas perguntas óbvias, que me permitiriam mentir descaradamente se fosse o caso.
O departamento pessoal, para mim, era isto: um povo de poucos sorrisos, apegado a regras, que cuidava da parte burocrática, chata mesmo, da minha existência corporativa. E com quem eu só falava de vez em nunca.
Só que, sabemos, a atividade de recursos humanos mudou demais nos últimos tempos. Ficou mais estratégica, tecnológica, protagonista da cultura e mais participante da mesa em que as decisões são tomadas. O (bom) departamento pessoal surfou (olha aí) na mesma onda. Automatizou processos repetitivos, incorporou inteligência artificial, passou de acumulador a gerador de dados que apontam direções para o negócio. Trabalhar no DP ficou mais sexy, como me disse, meses atrás, Rafaela Lucena, sócia da Bernhoeft e diretora de BPO, que está ajudando a modernizar a gestão de folha de pagamento.
Sim, foi ela quem me deu a ideia para a matéria de capa desta edição. E também foi uma das pessoas entrevistadas que me ajudaram a entender como o departamento pessoal, antes o patinho feio do RH, está cada vez mais com perfil de cisne. Uma área com gente sorridente, pouco apegada à burocracia e, sobretudo, mais engajada… porque sabe que faz a diferença na empresa. E tem orgulho disso.
Este texto faz parte da edição 102 da Você RH, que chegou às bancas no dia 6 de fevereiro.







