Qual é a trilha para uma posição C-Level?
Não existe receita pronta, mas há um conjunto claro de experiências, decisões e comportamentos que se repetem entre aqueles que chegam à liderança.
Já de cara, saiba que não é uma resposta curta. Porque não existe receita pronta para esse objetivo, uma vez que cada carreira é única. Mas há um conjunto claro de experiências, decisões e comportamentos que se repetem entre aqueles que chegam a um cargo C-Level de forma consistente.
O primeiro passo é a mudança de mentalidade. O conhecimento técnico e a capacidade de execução levam você até um determinado patamar. A partir daí, outros fatores vão contar. Às vezes, profissionais excelentes podem estacionar porque continuam operando como especialistas, mesmo sendo líderes.
Essa transição exige sair do “fazer” para o “pensar o negócio”. Isso significa entender a empresa de forma sistêmica, conectando estratégia, pessoas, finanças e cultura. Demanda tomar decisões considerando impactos de médio e longo prazo, muitas vezes com informações incompletas.
É fundamental, ainda, que o executivo saiba gerir a si mesmo, com disciplina, foco e produtividade consciente. Soma-se a isso a prática da escuta ativa, do pensamento estratégico e da análise crítica.
O comportamento, a qualidade das conexões e as relações de confiança estabelecidas na organização também são importantes. E esses elementos são decisivos para que um profissional seja considerado em um processo de sucessão ou promoção à posição C-Level.
Repertório vasto
Outro elemento central é a amplitude de experiências. Raramente essas carreiras são construídas sem vivência em contextos distintos. Há valor, portanto, na passagem por diferentes áreas, em projetos transversais, em liderar times diversos e nas experiências multiculturais.
Os executivos que se destacam são os capazes de formar times fortes, desenvolver sucessores, lidar com conflitos e criar ambientes de alta performance sem abrir mão de valores éticos.
Por isso, a gestão de pessoas é um divisor de águas no caminho ao C-Level. E não é raro encontrar profissionais tecnicamente preparados que não avançam por fragilidades comportamentais, como dificuldade de escuta, baixa adaptabilidade ou incapacidade de influenciar pares e conselhos.
Saber falar com quem está acima
A relação com a governança, aliás, é outro aprendizado fundamental. À medida que a carreira avança, cresce a exposição a conselhos de administração, acionistas e investidores. Saber se comunicar nesse fórum, traduzir estratégia em linguagem de risco e retorno, sustentar decisões e, ao mesmo tempo, ouvir provocações externas com maturidade são competências vitais.
Não menos importante é a gestão da própria carreira. Chegar ao C-Level raramente é fruto apenas de reconhecimento interno ou de um “convite natural”. Existe intencionalidade por trás.
Saber dizer não a posições que parecem promoções, mas não agregam visão estratégica, também importa. Executivos que conhecem bem seus pontos fortes e seus gatilhos de comportamento evitam armadilhas comuns do caminho.
Vale reforçar que essa jornada não é uma corrida de curto prazo. Ela exige resiliência e paciência. Pede coerência entre discurso e prática, entre valores pessoais e decisões profissionais, entre ambição e responsabilidade.
O caminho está em olhar para a carreira como um projeto de longo prazo, buscar experiências que ampliem a visão de negócio e desenvolver, de forma genuína, a capacidade de liderar pessoas e tomar decisões complexas. Isso, com o tempo, fará toda a diferença.
Este texto faz parte da edição 102 da Você RH, que chegou às bancas no dia 6 de fevereiro.







